Pacto Sinal Verde da Qualidade da Carne Bovina

Atingir qualidade em 100% dos abates de cabeças realizadas pela indústria no estado. Este é o principal e maior desafio do Pacto Sinal Verde, compromisso firmado em 2015 numa iniciativa do governo de Mato Grosso do  Sul com parceria da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul), Associação Brasileira das Indústrias de Exportadoras de Carnes (Abiec), Associação dos Criadores de MS (Acrissul); Novilho Precoce, Embrapa Gado Corte e apoio da JBS, principal indústria que atua no MS e maior processadora de carnes do planeta. O objetivo central é comercializar carne de melhor qualidade e com padrão, para consumidores do Brasil e do exterior. O programa visa fortalecer o setor pecuário e criar uma marca que Mato Grosso do Sul possui,  produzir carne de qualidade. O produtor vai ter um ganho maior na arroba ofertada, com o boi tipificado no padrão verde. Uma das ações contidas no pacto é construir um trabalho que lançará a pedra fundamental de um grupo de estudo da pecuária de corte do Estado de Mato Grosso do Sul, onde o CICARNE terá um papel fundamental nessa ação, levantando demandas tecnológicas para a pesquisa, subsidiando a elaboração de politicas publicas e transferindo conhecimento que vise a geração de impacto no segmento estudado. As ações técnicas desenvolvidas serão avaliadas através de reuniões ordinárias do Comitê Gestor do Pacto.


Resumo Geral de Abates

Palestra DINAPEC – Pacto Sinal Verde

Diagnóstico da Qualidade do Bovino Sul-Mato-Grossense – Pacto Sinal Verde

O estado de Mato Grosso do Sul se destaca pela qualidade dos bovinos abatidos, tanto que no ano de 2014, o percentual de carcaças desejáveis (Farol Verde) no estado foi 70% maior que o percentual do País (Figura 01).

FIGURA 1. Aplicação da metodologia do Farol da Qualidade em abates realizados no ano de 2014 em diferentes plantas frigoríficas no Brasil e em Mato Grosso do Sul. Fonte: JBS – CICARNE

A principal razão para essa elevada proporção de carcaças desejáveis se deu pelo incentivo ao abate de animais precoces que ocorreu no estado nas últimas décadas (Figura 2). De 1999 a 2015 o crescimento da diferença entre a proporção de bovinos abatidos jovens no MS e no Brasil foi de 6% ao ano.

FIGURA 2. Comparativo entre a proporção de bovinos jovens abatidos no Estado de Mato Grosso do Sul com aqueles abatidos no Brasil durante o período de janeiro de 1997 a setembro de 2015. Fonte SIDRA-IBGE.

A pecuária sul-mato-grossense se destaca no contexto brasileiro, entretanto, a qualidade ainda pode ser melhorada. Foram analisados 1.301.400 bovinos abatidos nas 12 unidades frigoríficas do JBS Friboi durante o período de janeiro a setembro de 2015 (Tabela 1) e na soma das frações das carcaças indesejáveis (farol vermelho) e toleráveis (farol amarelo), três em cada quatro bovinos abatidos ainda não apresentam as características desejáveis para abate, demonstrando a importância de ações voltadas à melhoria na qualidade da carcaça no Mato Grosso do Sul.

TABELA 1. Abates de bovinos do Mato Grosso do Sul em frigoríficos do JBS Friboi de janeiro a setembro de 2015

Fonte: JBS – CICARNE

As razões para a classificação das carcaças nos faróis amarelo e vermelho dependem do tipo de bovino abatido. Para animais castrados 85% da classificação no Farol Amarelo foi devido à falta de acabamento e idade (54% pelo acabamento, 16% pela idade e 15% por ambos). Para aumentar o Farol Verde nesses animais é preciso reduzir a idade e melhorar o acabamento ao abate. Já no Farol Vermelho, 56% dos casos foram devido à falta de acabamento e a solução será melhorar o acabamento das carcaças, que, por conseguinte, aumentará o peso de abate e resolverá a segunda razão que foi a falta de peso (21%) e também aquelas magras e leves (5%).

Para as fêmeas), a idade foi o fator preponderante para a classificação no Farol Amarelo, algo natural face à função da vaca na pecuária. A falta de acabamento e o baixo peso em animais até 6 dentes, entretanto, responderam por 43% das desclassificações. Assim, a solução para aumentar o Farol Verde nas fêmeas é melhorar o acabamento e aumentar o peso de abate de vacas jovens (até 6 dentes). Já no Farol Vermelho, a falta de acabamento e o baixo peso foram responsáveis por quase 2/3 das desclassificações e a solução também é melhorar o acabamento e aumentar o peso de abate de vacas jovens.

Para animais Inteiros terminados em confinamento, 85% dos casos do Farol Amarelo foram devidos à falta de acabamento e idade (44% pelo acabamento, 9% pela idade e 34% por ambos) e a solução seria melhorar o acabamento e reduzir a idade ao abate par até dois anos. Já no Farol Vermelho, a falta de acabamento e o baixo peso foram responsáveis por mais de 90% das desclassificações e a solução, além de reduzir a idade ao abate para até dois anos, seria melhorar o acabamento e aumentar o peso de abate.

Para animais inteiros terminados a pasto, 80% dos casos de Farol Amarelo foram devidos à falta de acabamento e idade (39% pelo acabamento, 5% pela idade e 41% por ambos) e a solução seria melhorar o acabamento e reduzir a idade ao abate para até dois anos. Já no Farol Vermelho, a falta de acabamento foi responsável por mais de 73% das desclassificações e a solução, além de reduzir a idade ao abate para até dois anos, seria melhorar o acabamento ao abate.

Conclusões:

  • O Estado de Mato Grosso do Sul abate de animais de qualidade superior ao padrão nacional;
  • A qualidade dos animais abatidos no estado é boa, mas a proporção de carcaças no Farol Verde (desejáveis) varia conforme o tipo de bovino abatido;
  • A qualidade deve ser melhorada, pois três em cada quatro bovinos abatidos ainda não apresenta todas as características desejáveis para abate;

Para aumentar o número de animais no Farol Verde é preciso:

  •  Abater animais castrados mais jovens e com melhor acabamento;
  • Melhorar o peso e o acabamento de fêmeas abatidas com até 6 dentes;
  • Abater animais inteiros, independentemente da forma de terminação, com até dois dentes e com melhor acabamento das carcaças.